Jovem de 26 anos venceu anos de trabalho pesado, estudou de madrugada e chegou a Medicina na UFMS ao lado da mãe faxineira, transformando em realidade o sonho de ser médico.
João Vitor Santos de Souza, de 26 anos, saiu da periferia de Campo Grande para conquistar uma vaga em Medicina na UFMS. O jovem estudava de madrugada, aproveitava até o horário de almoço para revisar conteúdo e comemorou a aprovação ao lado da mãe faxineira, Meire Santos, depois de anos tentando tirar do papel o sonho de ser médico.
De capinador a calouro de Medicina
Antes da aprovação, João Vitor fez o que apareceu para ajudar em casa. Trabalhou como capinador de lotes, vendedor em feira-livre, pintor de paredes, atendente em conveniência, fez bico em lava-jato e ainda encarou noitadas como garçom. Em dezembro de 2024, poucas semanas antes do resultado, ele serviu na formatura de uma turma de Medicina.
Madrugada, bicicleta e estudo na marra
Sem dinheiro para cursinho, o jovem montou a própria rotina com material emprestado, internet e muita insistência. Ele atravessava a cidade de bicicleta, estudava de madrugada, revisava no almoço e, na prática, conseguia entre duas e três horas por dia. O esforço pesou na redação, em que tirou 800 pontos, e abriu caminho para uma das sete vagas destinadas a negros e egressos de escola pública de baixa renda.
O resultado final do Vestibular UFMS 2025 foi publicado em 28 de janeiro de 2025. Depois disso, João Vitor ainda passou pelas etapas de validação da vaga de cotas até confirmar a matrícula e seguir para o início da graduação.
O sonho de ser médico agora cobra fôlego total
A graduação em Medicina da UFMS é presencial e integral, com atividades nos turnos matutino, vespertino e noturno. Já no começo da caminhada, os ingressantes participaram de acolhimento no Humap-UFMS, com tour guiado pelo hospital universitário, ambiente que fará parte da formação ao longo do curso.
A batalha agora mudou de endereço. João Vitor já entrou em Medicina, mas precisa se manter em um curso de alta carga horária. Em fevereiro de 2026, a UFMS informou que estudantes de Medicina em situação de vulnerabilidade podem disputar a Bolsa Permanência do Programa Mais Médicos, com auxílio mensal de R$ 700. Em Campo Grande, foram oferecidas 10 vagas, voltadas a alunos com renda per capita de até um salário mínimo e meio, matrícula ativa e inscrição no CadÚnico.
A disputa ajuda a dimensionar o tamanho da conquista. O MEC informou, em fevereiro de 2026, que o bacharelado em Medicina da UFMS foi o curso mais concorrido de Mato Grosso do Sul no Sisu 2026.
João Vitor venceu a primeira parte da corrida. Agora começa a fase mais pesada: segurar seis anos de formação integral e não largar o sonho de ser médico que ele bancou no braço, no cansaço e na madrugada.
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