Comer doce durante os estudos ajuda na memorização? Estudo revela técnica de memorização com doces e alerta sobre limites para quem busca aprender de forma eficaz

Estudo revela técnica de memorização com doces e educadora alerta sobre seus limites para quem busca aprender de forma eficaz

Estudo revela como o sabor de um doce pode influenciar a memorização e impulsionar o aprendizado

Estudantes em busca de técnicas eficazes para melhorar a memorização podem encontrar uma abordagem inusitada: a associação de sabores com disciplinas estudadas. Uma estudante de Medicina viralizou nas redes sociais ao afirmar que mastigar sempre o mesmo sabor de pastilha durante os estudos e nas provas a ajudava a recordar melhor o conteúdo. Mas será que essa estratégia é realmente eficaz e pode ser aplicada por todos?

Para entender essa questão, conversamos com Katia Chedid, educadora e especialista em Neurociência aplicada à Educação. Segundo ela, a técnica de usar um sabor específico pode funcionar como um ritual que cria familiaridade e reduz a ansiedade, mas não deve ser vista como uma solução única. “É importante lembrar que essa estratégia não substitui o estudo ativo”, enfatiza Katia.


O que é a memória dependente de contexto?

A estudante que compartilhou sua experiência mencionou a chamada memória dependente de contexto, que sugere que a recordação de informações é mais eficaz quando realizada no mesmo ambiente ou estado em que foram originalmente aprendidas. Katia concorda que a ideia está correta, mas ressalta que não se resume apenas à repetição de um sabor. “Lembrar de eventos marcantes, como onde você estava durante a tragédia das Torres Gêmeas, é um exemplo de como um contexto impacta a memória”, explica.

Katia denomina o efeito descrito pela aluna como “aprendizagem associativa por pistas sensoriais”. Isso significa que a combinação de diferentes sentidos — visão, tato, olfato, paladar e audição — pode ajudar na recuperação de informações. O aroma de um bolo que você costumava comer na infância ou o perfume de um ente querido são exemplos de como memórias podem ser evocadas por estímulos sensoriais.

Como a memória realmente funciona?

A memória é um processo dinâmico que envolve a retenção, armazenamento e recuperação de informações. Katia destaca que não é um mecanismo fixo e pode ser influenciada por fatores emocionais e pelo tempo. “Às vezes, nosso cérebro preenche lacunas com lembranças de outras experiências”, diz. Esse fenômeno ocorre quando tentamos formar uma recordação, e as sensações captadas pelos sentidos podem ser utilizadas para fortalecer essa associação.


Para otimizar a memorização, Katia sugere uma série de práticas eficazes: revisar o conteúdo frequentemente, garantir um sono de qualidade e resolver problemas que envolvam o conhecimento adquirido. Essas ações ajudam a estabilizar o aprendizado e a promover um melhor desempenho em avaliações.

Estratégias comprovadas para melhorar a memorização

Embora a ideia de usar um doce como auxílio para a memorização tenha seu apelo, é crucial lembrar que nem todas as estratégias que circulam nas redes sociais possuem respaldo científico. “Técnicas que parecem mágicas muitas vezes são simplificações de um processo complexo. Não é um doce que vai garantir seu aprendizado”, alerta a educadora.

Para uma preparação sólida, Katia recomenda a complementação dos estudos com métodos comprovados, como:


  • Repetição espaçada: estude um novo tópico hoje e revise-o no dia seguinte, uma semana depois e novamente após um mês.
  • Leitura prévia: leia o conteúdo antes das aulas e faça perguntas para si mesmo.
  • Resolução de exercícios: pratique com listas de exercícios para fixar o conhecimento.
  • Explanação: explique a matéria para outras pessoas, o que reforça sua compreensão.
  • Variedade de conteúdos: alterne entre diferentes assuntos para evitar a fadiga.
  • Revisão de erros: anote os erros em um caderno para entender onde precisa de mais atenção.
  • Dormir bem: um sono reparador é essencial para a consolidação da memória.
  • Flashcards: crie cartões com perguntas de um lado e respostas do outro para treinar o conhecimento.
  • Pote da recuperação: coloque perguntas em um recipiente e, com o tempo, sorteie uma para treinar a resolução.

O caminho para a memorização eficaz

Enquanto a ideia de associar um sabor a um conteúdo pode ser uma ferramenta divertida, o verdadeiro caminho para a memorização eficaz envolve esforço e estratégias bem fundamentadas. A educação é uma construção contínua, e cada estudante deve encontrar as técnicas que melhor se adequam ao seu estilo de aprendizado.

Você já testou alguma técnica diferente para melhorar sua memorização? Compartilhe suas experiências e siga acompanhando novas dicas e oportunidades para potencializar seus estudos!

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