Queda alarmante no número de formandos: Biologia, Química e Física enfrentam crise no Brasil
O Brasil vive um momento crítico em suas licenciaturas, especialmente nas áreas de Biologia, Química e Física. Dados recentes do Censo da Educação Superior revelam uma redução significativa no número de formandos dessas disciplinas, com perdas que variam de 12,8% a 21,3% entre 2016 e 2020.
Esse cenário levanta preocupações sobre a futura escassez de professores qualificados, impactando diretamente a qualidade do ensino nas escolas públicas.
Dados preocupantes sobre a formação docente
O levantamento realizado pelo Instituto Semesp, em parceria com a MK Estatística, destaca que a Licenciatura em Biologia sofreu uma queda de 21,3%, passando de 12.663 formandos em 2016 para apenas 9.963 em 2020.
A Licenciatura em Química, por sua vez, viu uma retração de 12,8%, reduzindo seus concluintes de 3.966 para 3.460 no mesmo período. Embora a Licenciatura em Física tenha registrado um crescimento de 14,7%, formando 2.337 professores anualmente, esse número ainda é insuficiente para suprir a demanda nas redes de ensino.
A situação se agrava ao observar a faixa etária dos concluintes: a quantidade de jovens com até 29 anos formados em Biologia caiu 24,8%, enquanto em Química a diminuição foi de 19,9%.
Isso indica que os novos formandos são, em sua maioria, profissionais já atuantes que buscam regularizar sua habilitação, e não novos talentos ingressando na carreira.
Evasão e desafios adicionais
As altas taxas de evasão em cursos de licenciatura contribuem para a diminuição do número de formandos. Em 2020, a taxa geral de evasão alcançou 29,9%, com os cursos a distância apresentando índices ainda mais alarmantes, chegando a 31,3%.
Entre as licenciaturas, Matemática lidera com 34,6% de evasão, seguida por Educação Física (33,7%) e Filosofia (33,2%). Mesmo disciplinas que atraem candidatos enfrentam dificuldades em reter estudantes até a formatura.
Outro dado inquietante é que, entre 2010 e 2020, o número de egressos em cursos de licenciatura cresceu apenas 4,3%, enquanto as matrículas aumentaram 53,8%. Isso revela que, embora muitos ingressem, poucos concluem suas formações.
O perfil dos formandos e suas implicações
A idade dos concluintes também é uma preocupação. O número de jovens de até 29 anos formados em licenciaturas caiu 11,8% nesse período, com uma queda acentuada de 39% nos cursos presenciais.
Por outro lado, as matrículas em licenciaturas a distância (EAD) aumentaram, mas a maioria dos alunos já possui experiência no magistério, o que significa que estão apenas regularizando sua situação e não formando uma nova geração de educadores.
O impacto desse cenário é claro: a renovação do corpo docente está comprometida, com a quantidade de professores jovens em início de carreira reduzida pela metade entre 2009 e 2021.
Por que a situação é mais crítica para Biologia, Química e Física?
As licenciaturas em ciências enfrentam desafios adicionais, pois competem com bacharelados que oferecem salários mais atrativos no setor privado. Profissionais formados nessas áreas podem atuar em laboratórios e indústrias, recebendo salários superiores aos da carreira docente.
Em 2020, a remuneração média de um professor de Biologia no ensino médio era de R$ 3.977, enquanto a de Química era de R$ 4.097 — valores bem abaixo da média de R$ 6.500 de outras profissões com nível superior.
Além do fator salarial, apenas 11,1% dos docentes do ensino médio acreditam que a profissão é valorizada pela sociedade, o que afasta potenciais candidatos.
Projeções e ações necessárias
De acordo com a pesquisa do Semesp, se as tendências atuais persistirem, o Brasil poderá enfrentar um déficit de 235 mil professores na educação básica até 2040. A escassez será mais pronunciada nas disciplinas que já enfrentam carência de profissionais, como Física, Biologia e Química.
Para reverter essa situação, é fundamental investir na valorização da carreira docente, melhorar remunerações, desenvolver redes de apoio e garantir infraestrutura adequada nas escolas. O novo Plano Nacional de Educação também prevê ações para a valorização docente, mas sua implementação eficaz ainda é incerta.
Reflexão final sobre o futuro da educação
O Brasil enfrenta um desafio significativo na formação de professores em disciplinas essenciais como Biologia, Química e Física. Essa queda no número de formandos, somada à evasão e ao envelhecimento do corpo docente, compromete a qualidade do ensino nas redes públicas.
É imprescindível agir rapidamente para garantir que as futuras gerações tenham acesso a educadores qualificados e preparados para os desafios do ensino contemporâneo.
Convidamos você a compartilhar suas opiniões sobre esse tema e a acompanhar novas oportunidades e discussões sobre a educação no Brasil.


