A estudante de Nova Era surpreendeu ao garantir lugar em uma competição mundial de robótica no Canadá, enquanto a família corre para arrecadar recursos e garantir que a mãe acompanhe a menina nessa viagem internacional.
Aos 8 anos, a menina Alana já vive uma corrida que mistura robótica, passaporte, viagem internacional e mobilização popular. Estudante da comunidade de Capoeirana, em Nova Era, ela garantiu vaga no mundial de robótica no Canadá após se destacar em uma etapa nacional e agora tenta, com a ajuda da família e da comunidade, viabilizar a ida da mãe para acompanhá-la nessa experiência decisiva.
Menina de comunidade rural acelera rumo ao Canadá
A classificação da estudante veio depois de a equipe alcançar o sétimo lugar em uma competição nacional disputada em São Paulo, resultado conquistado com cerca de dois meses de preparação direcionada, segundo familiares.
A viagem das crianças está prevista para 14 de julho, e o evento internacional da FIRA RoboWorld Cup and Summit 2026 aparece no calendário oficial entre 16 e 21 de julho, em Markham, Ontário, no Canadá.
O torneio para o qual Alana se classificou não é qualquer disputa escolar. A FIRA informa que sua competição principal começou em 1996 e se consolidou como uma das vitrines mais conhecidas da robótica educacional e competitiva no mundo. Para 2026, a organização já confirma Markham, em Ontário, como sede da próxima edição.
Mãe vira prioridade para a estudante embarcar com segurança
A conquista da menina abriu uma segunda corrida fora das arenas de robótica. Segundo a família, a Prefeitura de Nova Era vai bancar itens centrais da participação das crianças, como passagens, hospedagem, documentação e a logística de passaporte e visto. O problema é que esse suporte não cobre familiares ou responsáveis legais, e foi isso que colocou a presença da mãe no centro da mobilização.
A família afirma que a ida de Eliane Lopes da Silva, mãe da estudante, é tratada como essencial diante da idade da criança e do porte da viagem. O primo Pablo Felipe da Silva Miranda, que ajuda a puxar a campanha, disse ao DeFato que tudo será novo para Alana, do avião ao contato com um país estrangeiro, e que a presença da mãe funciona como rede de segurança para a menina durante a competição internacional.
A meta divulgada pela campanha gira em torno de R$ 20 mil para custear passagem, hospedagem e despesas extras da viagem da mãe. Na página pública da vaquinha, criada em 5 de abril, os organizadores reforçam que a passagem e a estadia da estudante serão custeadas pela prefeitura, enquanto a arrecadação busca garantir que Eliane viaje junto com a filha.
Robótica mudou a rotina da estudante em Nova Era
A entrada de Alana na robótica começou há cerca de um ano, quando ela foi selecionada para o Projeto Na Mochila, iniciativa voltada à educação em STEAM no Médio Piracicaba. Segundo a reportagem do DeFato, a estudante foi escolhida a partir de critérios como desempenho escolar e frequência, e rapidamente passou a chamar atenção pela criatividade e pela velocidade para aprender. Ela estuda na Escola Municipal Cecília Gabriela Martins Quintão, na própria comunidade de Capoeirana.
No site oficial, o Na Mochila diz oferecer aulas de programação e robótica, treinos para competições e implementação de robótica educacional. A organização também apresenta o educador Hailisson Ferreira como fundador da primeira ONG de robótica educacional de Minas Gerais, reforçando o tamanho da estrutura que vem abrindo portas para crianças e adolescentes da região.
Estudante entra em categoria de robótica feita para crianças da idade dela
A presença de Alana no campeonato mundial também chama atenção pela faixa etária. No site da FIRA Brasil, a categoria FIRA Kids é destinada a participantes de 6 a 9 anos, exatamente a faixa em que a estudante mineira se encaixa. Isso ajuda a explicar por que a classificação dela, aos 8 anos, ganhou tanta repercussão dentro e fora da comunidade.
A delegação ligada a Capoeirana será formada por quatro meninas. Segundo o DeFato, Alana e Roberta integraram a equipe que disputou a etapa nacional em São Paulo, enquanto Laura e Lívia atuarão como substitutas na viagem ao Canadá. O grupo leva para fora do país uma história que saiu de uma comunidade de baixa renda e alcançou uma das principais vitrines internacionais da robótica jovem.
Canadá entra no caminho de um projeto que já vinha fazendo barulho
A vaga de Alana não surge isolada. O Projeto Na Mochila já vinha acumulando resultados relevantes. A Prefeitura de João Monlevade informou que estudantes ligados à iniciativa conquistaram a medalha de prata no Fira Robo World Cup 2025, realizado em Daegu, na Coreia do Sul, na categoria Missão Impossível U14. O próprio projeto também destaca esse resultado entre as conquistas recentes que deram visibilidade regional e internacional ao trabalho feito no Médio Piracicaba.
Esse histórico ajuda a mostrar por que a classificação da menina ganhou tanta força em Minas Gerais. Alana não chega ao Canadá por acaso. Ela aparece em um ambiente que já vinha formando equipes competitivas, levando estudantes da rede pública a torneios internacionais e transformando a robótica em oportunidade concreta para crianças que dificilmente estariam nesse circuito sem apoio local e projeto social.
A mãe e a menina viraram símbolo de uma mobilização maior
Enquanto os treinos continuam, a rotina da família passou a girar em torno de documentos, arrecadação e preparação para a viagem. A mãe da estudante relatou que acompanha a agenda da filha entre escola, treinos e deslocamentos para atividades fora da cidade. Para ela, a robótica ampliou o horizonte da menina e passou a ser vista dentro de casa como caminho para oportunidades maiores no futuro.
Em Capoeirana, a história já ultrapassou o limite de uma conquista individual. A estudante de 8 anos virou rosto de uma mobilização que junta robótica, Canadá, escola pública, comunidade rural e o esforço para garantir que a mãe esteja ao lado da filha no momento mais importante da trajetória dela até agora.
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