O abismo que está fechando faculdades nos EUA: mais de 440 faculdades privadas podem fechar, enquanto estudantes migram para cursos técnicos e certificados rápidos por serem mais baratos

Portão com placa de fechado em frente a faculdade nos Estados Unidos, enquanto estudantes deixam o campus em meio à crise das faculdades privadas.

Mais de 440 faculdades privadas podem fechar ou se fundir em 10 anos nos EUA, atingindo cerca de 670 mil alunos; enquanto isso, estudantes migram para opções mais curtas e baratas, e gigantes como Harvard e Stanford seguem em outra realidade.

O alerta já saiu do campo da teoria e entrou de vez no mapa das universidades dos EUA. Uma projeção da Huron Consulting Group, publicada pelo Hechinger Report, aponta que 442 das 1.700 faculdades privadas sem fins lucrativos de quatro anos estão sob risco de fechar ou acabar em fusão na próxima década. Nesse grupo estão cerca de 670 mil alunos, e mais de 120 instituições aparecem na faixa mais alta de risco.

A pressão ficou ainda mais visível neste mês com o anúncio de fechamento do Hampshire College, em Massachusetts, após anos de aperto financeiro e queda de matrículas. O recado para o setor ficou brutal: para muitas faculdades de médio e pequeno porte, sobreviver virou a principal batalha.


O preço explodiu e a conta caiu no colo dos alunos

Boa parte dessa crise nasceu no bolso. Segundo o College Board, a mensalidade média publicada das faculdades privadas sem fins lucrativos de quatro anos chegou a US$ 45 mil em 2025-26. Em valores corrigidos pela inflação, esse valor subiu 74% em 30 anos.

Do outro lado, o peso da dívida virou um freio real para milhões de estudantes. O Federal Reserve Bank de Nova York informou que o saldo de empréstimos estudantis chegou a US$ 1,664 trilhão no fim de 2025.

A taxa de inadimplência acima de 90 dias estava em 9,6%, e cerca de 1 milhão de tomadores com atraso superior a 120 dias tiveram os contratos enviados ao grupo federal de resolução de default.


Com esse tamanho de conta, muita gente passou a olhar para o diploma tradicional com menos romantismo e mais cálculo. O problema não é só entrar na faculdade. É sair dela carregando um débito que pode atravessar anos da vida adulta.

Os estudantes não desistiram do ensino superior; eles mudaram de rota

O retrato mais recente do National Student Clearinghouse mostra que o ensino superior dos EUA não encolheu por inteiro. No outono de 2025, o país somou mais de 19,4 milhões de matrículas no pós-secundário, com 16,2 milhões na graduação. O movimento que mudou foi o destino dos alunos.

Enquanto community colleges cresceram 3,0% e universidades públicas de quatro anos avançaram 1,4%, as faculdades privadas de quatro anos perderam terreno: as sem fins lucrativos caíram 1,6% e as com fins lucrativos recuaram 2,0%. O mercado começou a premiar preço menor, retorno mais rápido e formação mais objetiva.


A corrida por cursos técnicos e certificados rápidos aparece com força nesse deslocamento. As matrículas em programas de certificado de graduação subiram 1,9%, acima do crescimento dos bacharelados, que foi de 0,9%. Nos community colleges, já são 752 mil alunos em programas de certificado, um salto de 28,3% desde 2021.

Para muitos estudantes, o raciocínio ficou direto: entrar mais rápido, gastar menos e chegar antes ao mercado. Em um país onde a mensalidade pesa e a dívida assusta, cursos técnicos e certificados rápidos passaram a ocupar o espaço que antes parecia reservado às faculdades tradicionais.

Harvard e Stanford seguem em outra liga

A crise não está distribuída de forma igual entre todas as universidades dos EUA. Harvard continua operando em um patamar de demanda raríssimo: a universidade registrou 47.893 candidatos para a turma de 2029, com taxa de admissão de 4,2%.

Stanford também se mantém em um território muito distante da realidade das faculdades menores. A instituição informa que recebe turmas de cerca de 1.800 calouros por ano e cobre integralmente a necessidade financeira dos alunos de graduação admitidos que se qualificam para ajuda, com mensalidade coberta para famílias com renda inferior a US$ 150 mil.


Harvard e Stanford entram nessa história como contraste, não como vítimas do mesmo vendaval. O aperto mais feroz atinge faculdades privadas regionais, campi pequenos e instituições sem a blindagem financeira, a marca global e a fila de candidatos que protegem a elite acadêmica americana.

O próximo choque já tem data para apertar ainda mais o setor

A crise das matrículas ainda carrega um relógio demográfico contra as faculdades dos EUA. A WICHE projeta que o número de concluintes do ensino médio vai atingir o pico em 2025 e depois cair de forma contínua até 2041. No fim desse ciclo, a queda esperada é de 13% em relação ao pico.

Isso significa menos jovens de 18 anos entrando no funil justamente no momento em que muitas faculdades precisam desesperadamente de novos alunos para sustentar receita, pagar estrutura e manter cursos abertos. Para as instituições mais frágeis, o que já está difícil pode virar um esmagamento prolongado.

O mapa que se desenha nas universidades dos EUA ficou mais duro e mais dividido. De um lado, gigantes como Harvard e Stanford seguem atraindo multidões e preservando prestígio. Do outro, centenas de faculdades lutam por caixa, por alunos e por tempo. No meio dessa ruptura, estudantes americanos estão votando com a carteira e com a pressa: menos aposta cega em mensalidades altíssimas, mais busca por formações curtas, baratas e conectadas ao emprego.

Comente o que você acha dessa virada nas faculdades e universidades dos EUA, acha que no Brasil pode acontecer o mesmo? Compartilhe este artigo com quem acompanha educação, carreira e o futuro dos estudantes.

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