Estudo intensivo: tendência no TikTok revela hábitos extremos de vestibulandos e seus impactos na saúde mental
Na última onda de vídeos no TikTok, jovens estudantes compartilham suas experiências intensas durante o ano de vestibular, revelando uma realidade preocupante. A hashtag “Coisas performáticas que fiz no meu ano de vestibular” traz relatos de hábitos radicais, como acordar às 4h da manhã, trocar refeições por balas e realizar múltiplas redações por semana. Embora a maioria não critique esses comportamentos, a psicóloga Luciana Inocêncio alerta: essa normalização pode trazer sérias consequências psicológicas.
O que está por trás da tendência?
Os relatos, que muitas vezes terminam em aprovação, estabelecem uma ligação direta entre sacrifício e sucesso. “Quando o resultado é positivo, o jovem pode concluir que suas ações extremas foram a chave para a conquista.
Isso cria uma pressão desnecessária e um ciclo de comparação”, explica Luciana. A busca pela aprovação, que deveria ser um processo saudável, torna-se uma fonte de ansiedade e culpa, levando muitos a acreditarem que, se não se esforçarem ao extremo, não merecem a aprovação.
O peso da performance
O termo “performática” usado pelos jovens reflete a cultura atual, onde o valor pessoal é frequentemente medido pela produtividade. Para a psicóloga, esse comportamento pode resultar em uma autocrítica severa, onde qualquer falha é vista como um fracasso pessoal.
“Acordar cedo e sacrificar momentos importantes da vida pessoal viram símbolos de esforço, enquanto a falta de equilíbrio pode levar a um desgaste emocional significativo”, alerta.
O risco do extremismo
Reorganizar a rotina durante o ano de vestibular é normal e esperado, mas a linha entre disciplina e extremismo é tênue. A romantização da produtividade máxima pode levar os estudantes a ignorarem suas necessidades básicas.
“Sono adequado, alimentação balanceada e momentos de lazer são fundamentais para um bom desempenho acadêmico. Abrir mão desses elementos pode ser contraproducente”, ressalta Luciana.
Consequências para a saúde mental
O mito de que é preciso “se sacrificar” para ser aprovado pode ter efeitos desastrosos. Jovens que se sentem pressionados a estudar incessantemente podem acabar acreditando que atividades de lazer são uma perda de tempo.
“Na realidade, o descanso e o convívio social são essenciais para a saúde mental e o aprendizado eficaz. Ignorar esses limites pode resultar em um burnout acadêmico”, conclui a psicóloga.
Aprendizado equilibrado
Estudantes que conseguem manter uma rotina equilibrada, com momentos de descanso e lazer, tendem a ter um desempenho melhor do que aqueles que estudam por longas horas sem pausas. O vestibular é, sem dúvida, um desafio importante, mas não define a inteligência ou o valor de uma pessoa. O equilíbrio emocional e a organização são aliados poderosos na jornada rumo à aprovação.
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