Reinauguração do painel Educação simboliza renascimento da arte e da educação no Brasil
O Ministério da Educação (MEC) celebrou, nesta terça-feira, 16 de junho, a reinauguração do painel Educação, da artista carioca Gilda Reis, localizado no 9º andar do edifício-sede da pasta, em Brasília (DF). Com 15 metros quadrados e produzido nos anos 1960 a convite de Oscar Niemeyer, a obra retrata as desigualdades sociais brasileiras, destacando a educação como um poderoso instrumento de transformação.
A obra, que estava deteriorada e apresentava perda de quase 30% da pintura original, passou por um processo de restauração entre setembro de 2025 e maio de 2026, realizado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Durante a cerimônia, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, ressaltou a importância da preservação do patrimônio histórico e artístico no fortalecimento das políticas públicas educacionais. “A restauração deste mural representa a retomada do investimento na educação pública, gratuita e de qualidade. Hoje, nossas universidades são ocupadas por pobres, pretos, indígenas e quilombolas que realmente têm acesso à educação de qualidade”, afirmou.
“A restauração desse mural significa a retomada do investimento na educação pública, gratuita e de qualidade.” Leonardo Barchini, ministro da Educação
O ministro enfatizou que preservar a memória é fundamental para que as futuras gerações compreendam a história do país e reconheçam o papel da educação na promoção da cidadania e inclusão social.
Na solenidade, Marta Reis da Fonseca, filha da artista, relembrou a trajetória de sua mãe e seu compromisso com as desigualdades sociais. “Ela tinha muito orgulho desse trabalho. Sempre foi uma artista preocupada com as desigualdades sociais e acreditava no papel transformador da arte”, afirmou.
A cerimônia também contou com a presença da subsecretária de Gestão Administrativa do MEC, Jussara Cardoso Silva Freitas, e das professoras Karen Velleda Caldas e Mirella Moraes de Borba, coordenadoras dos trabalhos de restauro na UFPel.
Impacto do Modernismo – A relevância de Gilda Reis foi discutida por Roberto Heiden, professor de história da arte na UFPel. Ele destacou a relação do painel com o modernismo brasileiro e a construção de Brasília. “O mural Educação foi realizado em um período em que outros artistas também criavam obras significativas na cidade, o que adiciona uma camada de importância histórica ao trabalho”, explicou.
Heiden também apontou que Gilda transitou entre formas abstratas e figurativas, e sua obra captura a assimulação de diferentes referências estilísticas, como cubismo e expressionismo, comuns entre artistas modernistas brasileiros. “O tema central da pintura possui uma dimensão social, retratando crianças em idade escolar, algumas vestindo uniforme e outras de origem humilde, com roupas simples e pés descalços, evidenciando a importância da assistência estatal às crianças mais vulneráveis”, completou.
Um legado resgatado – A reinauguração marca o fim de uma longa trajetória de abandono do mural, que perdeu visibilidade e foi coberto por tapumes. Em 1992, técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) redescobriram a obra deteriorada, mas tentativas de restauração não avançaram. A situação se agravou em 2012, quando uma reforma no local causou mais danos.
O cenário começou a mudar em 2024, quando a atual gestão do MEC, em parceria com a UFPel, iniciou um trabalho de diagnóstico, pesquisa e restauração. Concluído em 2026, o processo devolveu ao mural suas características originais, recuperando a única obra de Gilda Reis ainda preservada em Brasília. O mural, que retrata contrastes sociais, integra arte, história e cultura, reforçando o papel transformador da educação.
Restauração cuidadosa – A restauração foi realizada pela UFPel por meio de um termo de execução descentralizada e faz parte do Programa Multiações para o Patrimônio Cultural. A equipe multidisciplinar de especialistas trabalhou em diversas áreas, incluindo pintura mural e conservação preventiva, garantindo a compatibilidade dos materiais utilizados.
O legado de Gilda Reis – Aos 78 anos, Marta Reis da Fonseca recorda com carinho sua mãe, destacando sua diversidade artística. “Ela era uma pessoa com muitas particularidades. Eram muitas Gildas, e isso se reflete nas obras dela”, afirmou.
Gilda Reis, nascida no Rio de Janeiro, teve uma longa trajetória artística, participando de mais de 50 exposições no Brasil e no exterior. Sua obra permanece um importante testemunho do modernismo e da luta por justiça social na educação brasileira.
Para saber mais sobre a artista, acesse os registros em jornais nacionais e internacionais que evidenciam sua relevância.
Assessoria de Comunicação Social do MEC



