Ministério da Educação anuncia a criação da Universidade Federal Indígena e abre caminho para cursos voltados ao fortalecimento cultural e profissionalização dos povos indígenas

Ministério da Educação anuncia a criação da Universidade Federal Indígena e abre caminho para cursos voltados ao fortalecimento cultural e profissionalização dos povos indígenas

Comissão da Universidade Federal Indígena elege presidente e vice, marcando avanço histórico na educação indígena

Em um momento significativo para a educação indígena no Brasil, a Comissão de Implantação da Universidade Federal Indígena (Unind) elegeu, por aclamação, seu presidente e vice-presidente durante reunião no Ministério da Educação (MEC) no dia 17 de junho. Essa ação é um passo crucial após a publicação da Lei nº 15.418/2026, que estabelece a criação da Unind.

Novos líderes na educação indígena

Gersem Baniwa foi eleito presidente da comissão, enquanto Rita Potyguara assumiu a vice-presidência. A nova diretoria tem a missão de elaborar um cronograma de trabalho que inclui debates e estudos técnicos, além da criação do estatuto, regimento geral e definição dos primeiros cursos a serem oferecidos.


O protagonismo indígena na construção da Unind

Gersem destacou a importância da participação dos povos indígenas na formação da universidade: “O Brasil não tem a experiência de construir uma universidade indígena e o trabalho coletivo dessa Comissão será primordial para o bom funcionamento da instituição”, afirmou. O novo presidente enfatiza que a voz e a cultura indígena serão centrais para o desenvolvimento da Unind.

Composição diversificada da comissão

Para assegurar a representatividade, a comissão é composta por membros do MEC, incluindo a Secretaria-Executiva, representantes do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI), do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além de representantes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

  • Seis representantes do MEC, incluindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão.
  • Oito membros indicados pelo FNEEI.
  • Dois representantes do MPI.
  • Dois representantes da Funai.
  • Cinco representantes da Andifes.

Funcionamento e prazos da comissão

O grupo se reunirá mensalmente, podendo convocar especialistas e representantes de diversas entidades para contribuir nas discussões. Um cronograma detalhado será enviado ao ministro da Educação, Leonardo Barchini, e a comissão terá um prazo de um ano, que pode ser prorrogado, para concluir suas atividades.


Perfis dos novos líderes

Gersem José dos Santos Luciano, da etnia Baniwa, é graduado em filosofia e possui mestrado e doutorado em antropologia social. Atualmente, é professor associado na Universidade de Brasília. Rita Gomes do Nascimento, indígena do povo Potiguara, é graduada em pedagogia e possui mestrado e doutorado em educação, atuando como diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais.

Objetivos da Unind

A Universidade Federal Indígena visa produzir conhecimentos voltados ao fortalecimento cultural, à gestão ambiental e aos direitos indígenas, promovendo a sustentabilidade e valorizando saberes tradicionais. As atividades acadêmicas estão previstas para iniciar em 2027, com a oferta de dez cursos de graduação nas áreas estratégicas para os povos indígenas.

Uma demanda histórica feita realidade

A criação da Unind é um passo que vem sendo discutido desde 2010, ganhando novo impulso em 2023. Com a realização de seminários e consultas, a proposta se fortaleceu, culminando na criação da comissão responsável por sua implantação. Os encontros envolveram mais de 3.000 participantes, resultando em um relatório que recomenda Brasília como sede inicial da universidade, um marco na educação superior indígena no Brasil.


Fique atento e compartilhe suas opiniões sobre essa nova fase da educação indígena no Brasil!

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