Ministério da Educação apresenta protocolos para combater racismo nas escolas
O Ministério da Educação (MEC) deu um passo significativo na luta contra o racismo nas escolas ao realizar, no último dia 18 de junho, um webinário focado nos Protocolos de Identificação e Resposta ao Racismo.
O evento teve como objetivo principal apresentar ferramentas que visam garantir uma resposta eficaz a situações de racismo em instituições de educação básica.
Engajamento necessário para uma educação antirracista
Durante o webinário, a secretária de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, Zara Figueiredo, enfatizou a importância da implementação desses protocolos em todas as etapas da educação básica.
Ela convocou gestores, gestoras e docentes a se engajarem ativamente: “Os protocolos devem ser incorporados à vida escolar, inseridos no planejamento educacional e nas reuniões dos professores, para que sejam um instrumento vivo que integre todas as ações de uma educação antirracista”, ressaltou.
A voz das crianças negras na educação
A professora Kiusam Oliveira abordou a importância de implementar o protocolo na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, destacando a necessidade de um olhar atento às experiências das crianças negras.
“A infância negra está sendo empurrada para fora da escola, empurrada pelo apelido e pela professora que viu e fingiu não ver. Sem protocolo, a escola entrega o caso do racismo à sorte”, alertou.
Formação docente: chave para a mudança
A especialista Tatiana Cosentino apresentou as especificidades do protocolo para crianças de zero a cinco anos, ressaltando que a identidade racial se forma na primeira infância.
“O protocolo reconhece a centralidade da educação infantil como um momento crucial na construção das primeiras experiências com o mundo. As experiências de racismo e discriminação ocorrem no espaço escolar e na educação infantil”, afirmou.
Próximos passos na luta contra o racismo
Mara Evaristo, especialista em educação inicial, destacou a formação continuada de professores como essencial para a implementação das orientações do MEC: “O racismo não é uma abstração. Ele tem rosto, nome, idade e consequências reais. A educação é o primeiro passo para romper a invisibilidade do racismo”.
Na pauta do webinário, foram abordados temas como a perspectiva teórica e política sobre a implementação dos protocolos, estratégias pedagógicas e o papel das famílias.
O próximo evento está agendado para o dia 2 de julho, focando nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.
Protocolos estruturados para todos os níveis de ensino
Os documentos do MEC estão organizados em temas que abrangem desde a educação infantil até o ensino médio, visando que as redes de ensino encontrem neles uma ferramenta eficaz e compreensível para todos os atores da comunidade escolar.
Essas iniciativas integram as ações da Política Nacional de Educação das Relações Étnico-Raciais (Pneerq), fundamental para a efetiva implementação da Lei nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e africanas nas escolas.
Para mais detalhes sobre os protocolos e o webinário, você pode assistir à transmissão disponível no canal do MEC no YouTube.